Aos 29 anos, Filipe Toledo já possui em seu currículo dois títulos mundiais e uma trajetória repleta de desafios. Apesar das conquistas, a pressão por resultados e a agitação do Circuito Mundial de Surfe somaram-se, transformando a carreira do surfista. O surfista nascido em Ubatuba, litoral de São Paulo, enfrentou de frente a depressão, paralelamente às ondas mais desafiadoras do mundo.
No ano anterior, Filipinho pausou a participação no WSL para preservar sua saúde mental. Logo após seu segundo título mundial, o atleta brasileiro surpreendeu a todos com essa decisão. No entanto, essa escolha demonstrou ser a mais acertada, permitindo a ele cuidar de si mesmo, desfrutar mais tempo em família e retornar às competições em 2025 de forma mais equilibrada.
Às vésperas da estreia no Pipeline, Havaí, Filipe Toledo reservou um momento de sua preparação para conceder uma entrevista exclusiva ao SportBuzz. Ele abriu seu coração sobre a importância de cuidar da saúde mental e revelou suas metas para os eventos do WSL. Com modificações no cronograma, o surfista demonstrou leveza e confiança para retornar às suas atividades com paixão, em busca de bons resultados.
Indagado sobre suas sensações para o início da temporada, Filipe compartilhou que mantém a mesma rotina de treinamentos que o levou ao bicampeonato mundial. Para ele, essa abordagem é a ideal. Apesar disso, o surfista negou ter efetuado grandes mudanças após o ano sabático. Segundo o bicampeão, a única diferença reside na leveza para manter-se tranquilo e focado.
“Estou me sentindo bem preparado para o retorno ao WCT. A preparação segue um padrão muito similar ao adotado nos anos do bicampeonato. Acredito ter encontrado a fórmula que melhor se adequa a mim, e pretendo segui-la à risca para atingir meus objetivos. Sempre dei importância ao cuidado com minha saúde mental e física. Parece que a única mudança este ano é que estou mais sereno, consegui desacelerar e estou pronto para voltar à ativa com tudo”, afirmou.
Quando questionado sobre suas aspirações para 2025, Filipe Toledo enfatizou que jamais participa de uma competição sem estar focado em conquistas. No entanto, o surfista destacou a relevância do intervalo em sua carreira para alcançar tranquilidade e retornar ao circuito da WSL com mente totalmente voltada para a temporada exigente que o aguardava.
“Meu objetivo é sempre disputar as primeiras colocações do ranking. Gosto de avançar passo a passo. Primeiramente, busco garantir minha presença em Margaret, em seguida, foco em estar no top 5 para as finais, e então almejo mais um título. Sempre que estou competindo, busco dar o meu melhor e estar entre os melhores do mundo, e esse ano não será diferente”, revelou Filipe, que refletiu em seguida:
“Quando decidi reservar um tempo para mim, já havia amadurecido essa ideia, e foi um desafio tomar essa decisão. O plano sempre foi aproveitar esse intervalo para cuidar mais de mim mesmo, de meus projetos fora do surfe, da minha mente, passar tempo com minha família, e retornar em 2025 com 100% de energia. Sinto-me mais tranquilo agora, mais maduro para lidar com a pressão pelos resultados. Esse tempo foi crucial para seguir adiante com a agitação do cronograma e todos os desafios deste ano”, finalizou o bicampeão mundial.
O retorno à WSL
“Creio que todos notarão um Filipe mais tranquilo, mais radiante, ainda mais determinado, e feliz por poder novamente viver daquilo que tanto ama. Essa serenidade já me acompanha há alguns anos, desde que conquistei meu primeiro mundial, mas este ano tem algo ainda mais especial”.
Mudanças no calendário
“As mudanças foram extremamente positivas para o calendário do WCT. Estou certo de que teremos um ano muito competitivo e bastante prazeroso. Já tive a oportunidade de testar a piscina de ondas de Kelly, em Abu Dhabi, é incrível, geralmente me saio muito bem nesse tipo de desafio. Amei o retorno de Jeffreys Bay também, é um lugar onde meu surf se encaixa perfeitamente com aquele tipo de onda. Saquarema e Trestles também parecem ser locais que podem me favorecer bastante, mas de maneira geral, é um calendário muito interessante. Estou ansioso para retornar à WSL”.
Os favoritos ao título
“Tudo é bastante imprevisível. O WCT conta com um nível altíssimo e vários surfistas têm a chance de brigar pelo título. No entanto, acredito que eu, João [Chumbinho], Italo [Ferreira], Griffin [Colapinto], Jack [Robinson], todos temos a possibilidade de chegarmos às finais e disputarmos o campeonato até o fim. Contudo, tudo pode acontecer, há diversos surfistas que podem surpreender e chegar às finais em Fiji”.